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Experimentei rodar uma música com batidas lentas. E com essa ideia, bem devagar, comecei por uma música clássica melancólica de arrancar arrepios, tristes. Eu gosto de sentir arrepios com toques suaves que me fazem querer rodopiar. A música com certeza era leve, com toque profundo de piano, sem letras, tocante até o último fio e até a última gota de saliva. Comecei com seus segundos soltos, devagar quase parando, um ritmo lento e quente. Não era desses ritmos aconchegantes. Era um ritmo apertado de sufoco alheio. E é desses que mais gosto. São com esses que consigo  jogar as coisas para fora. Realmente para fora.

Estava sentada passiva no balanço no fundo de casa. O sol estava em seu auge de fervor e eu sentia o gosto da terra úmida e vermelha abaixo de meus pés. O balanço já estava bem surrado e encardido da poeira de anos a fio escorado ali. Suas cordas eram vermelhas, semi novas, enrugadinhas, cheirosas. O banco era de madeira que estava bem velho, mas isso jamais me importaria, visto tamanha cena que eu tinha. O balanço ficava justamente de cara para uma montanha que, embora longe, estava muito perto. Sua grandiosidade sempre me fazia refletir e era esse um dos motivos que escolhi A música e O lugar ideal para refletir. Como se fosse a minha meditação barulhenta.

Pouco tempo depois, já com meus chinelos com barro, me dei conta que não havia feito as unhas! Quem poderia se lembrar de unhas com um momento desses? O momento era simples, com suor e eu estava com um pouco de sol. A única pequenina árvore ainda crescia ao lado, e que ao olhá-la, tinha a certeza que demoraria a ser grande. Na verdade, grande o bastante para tapar o sol. O que já é o suficiente. Tapar o meu sol. Mas depois de eternizar a melodia em mim, de calçar os pés com barro, de sujar a corda, de quase cair de costas do balanço, de admirar a montanha, de chorar um pouquinho, de observar a árvore pequenina... o sol era meu parceiro. E que ótimo parceiro!

Havia barulho! Enquanto pensava nas coisas da vida, não considerei os barulhos. Eras mais para um sopro de ideias e verdades! A música tocava em seu vapor, o vento balançava-me sozinha, as árvores rugiam suas folhas e foi assim que considerei minha primeira meditação barulhenta: fora do cômodo do meu quarto, fora de um todo cômodo de vida, fora do habitat. Com uma vista impecável, com o sol ardendo o seu calor, com a música triste e fervorosa, com o peito ardendo de vida. Era assim que a vida precisava ser: com suas meditações barulhentas em lugares calmos. E fiz questão de entender!
escrito com amor
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    7 Comentários

    1. Olá Camila, primeiramente eu gostaria de dizer que eu amei o novo visual do blog! Está muito lindo :) e parabéns pelo texto, ele é tocante e bem detalhista, eu amo textos assim porque eles transmitem cuidado, atenção e sinceridade!

      Beijos, te desejo o melhor e que você tenha muito sucesso.


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    2. que legal esse post, eu preciso mt praticar mais meditação, meu dia a dia está mt corrido e estou mt stressda :/

      www.tofucolorido.com.br
      www.facebook.com/blogtofucolorido

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    3. Ai cami, eu preciso voltar a praticar mais meditação, era muito bom quando eu fazia. Ando muito no stress.

      Beijos, Love is Colorful

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    4. Que interessante, Camila! Sempre associei meditação ao silêncio ou sons bem leves e suaves, como os da natureza.

      Tenha uma linda sexta-feira!
      deliriosdeconsumismo.blogspot.com.br

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    5. Às vezes fico tão longe, mesmo no meio do caos hahahahaha Vou começar usar esses momentos pra meditar tbm. Bjos!
      www.armariodemoca.com.br

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    6. Meditar ao som de uma música que te entende é melhor que ficar no silêncio. E seus textos são sempre um amor <3 Que saudade que eu tava, Camila. Beijão

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    7. Eu já tentei meditar algumas vezes, mas nunca consigo de forma alguma. Do jeito que você descreveu no texto, acho que vou tentar novamente.
      Um abraço.

      https://livrosamoremais.blogspot.com.br

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